E quando a gravidez não é um estado de magia e de graça? Parte II

by - abril 01, 2019


Dia 17 de janeiro de 2018 fui à primeira consulta na CUF, e disse logo à médica que seria um saco sem embrião. A médica sorriu e com calma disse-me que iriamos já ver. Virou o ecrã para nós, olhou para a minha barriga com o ecógrafo e eu já estava aos gritos a perguntar porque estavam 2 “manchas”!!! Rimos muito, e no momento sensível de ouvir os corações só nós riamos. Fomos alertados que como era uma gravidez gemelar que seria de risco. Longe estávamos de achar que seria mesmo de risco. 

Ainda no primeiro trimestre surge a primeira complicação: hipertiroidismo. Vomitava com o ar, até se descobrir o porquê. Sabiam que o hipertiroidismo pode ser causado pela produção excessiva de beta hCG?

No início do segundo trimestre, chegaram os resultados de rastreios e tudo mais. Este foi o momento mais triste que vivi na gravidez. Os resultados do rastreio do 1º trimestre chegaram e ficámos felizes por saber que vinham negativos. Já tínhamos feito a ecografia e o risco de aneuploidias era muito baixo. Como sou bastante curiosa, pus-me a vasculhar bem os papéis e a ler tudo. Foi quando li, número de fetos 1. Não fazia sentido. Liguei para o laboratório informando que se tratava de uma gravidez gemelar ao que me responderam: “hm pois, agora provavelmente já vai dar positivo”. Lembro-me que estava com a minha mãe a arranjar o cabelo e as lágrimas caíram-me pela cara. Revoltada pela crueldade e frieza como me tinha sido dada a informação pedi para falar com superiores e prontamente o Dr. disse-me que seria oferecido um teste genético como forma de colmatarem aquele erro. O nosso mundo desabou. As coisas não corriam bem de forma nenhuma e eu estava exausta. A minha obstetra recebeu-me nesse dia, abraçou-me e confortou-nos. Sabíamos que esse teste genético tinha bons resultados, mas não deixava de ser um rastreio e partimos para a amniocentese. Corríamos contra o tempo. E nada do que se passava era justo. Não é justo, um casal ter de se sentar e pensar no que faz se as trissomias se confirmassem. 

Dia 27 de março lá fomos nós para o Hospital São Francisco de Xavier para realizar a amniocentese. As minhas pernas tremiam. Umas mães diziam que doía horrores, outras diziam que era como tirar sangue. Eu como sou muito melindrada desde sempre, mesmo que fosse como tirar sangue para mim é um pesadelo. A médica explicou-nos tudo, e lá começou com uma bolsa. Doeu, doeu muito. E doeu 2 vezes. Redupliquei os cuidados: só me levantava para ir à casa de banho e ir à mesa. E tudo correu bem. Até chegarem os resultados da amniocentese conversei muito com eles e inconscientemente parei de preparar coisas para eles. Não sabia o que viria e então optei por nem pensar muito no que haveria para fazer. Ligaram-me passadas 2 semanas com uma voz alegre: mamã está tudo bem e confirma-se é um casal. Ficamos tão felizes que achávamos que a partir de agora é que ia correr tudo bem.

A amniocentese é um procedimento com riscos que nos deixa apreensivas pela taxa de aborto. Na gravidez gemelar essa taxa dobra. Mas actualmente, a amniocentese e a biópsia das vilosidades coriónicas são os únicos meios de diagnóstico pré-natal, embora os testes de rastreio que existem já são fiáveis. Confiar nas equipas médicas destacadas para diagnósticos pré-natais é essencial. Na altura, pelo que li em muitos fóruns, muitos testes de rastreio do 1º trimestre dão falsos positivos. Mas a minha consciência não descansava e hoje se tivesse de optar pela amniocentese ou não voltava a submeter-me ao procedimento. Os cuidados que temos de ter passam por:
  • repouso absoluto 2/3 dias (que eu dobrei e fiquei 6 dias de repouso); 
  • não ter relações sexuais;
  •  não fazer esforços;   
Mães, conselhos a deixar para mamãs que estão para decidir e para realizar a amniocentese? 

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