O meu diário: Clara e Xavier - Dia 2

by - abril 25, 2019


O dia 2 não trouxe boas novas para o Xavier. Na altura foi o fim do mundo para nós. Longe estaríamos de saber que estávamos no início de uma batalha que durou 29 dias. Deparamos-nos com o primeiro problema, sem saber como geri-lo. As primeiras lágrimas caíam e eu não sabia o que fazer. A natureza prepara-nos para a maternidade de forma diferente. O que vamos ouvindo e lendo durante o período que estamos grávidas ali não serviu de nada. Aprendemos de raiz a ser outro tipo de mães. Especialmente neste dia eu tive de aprender a esperar e, a acreditar e a confiar. Nele, na equipa, em mim e no meu coração. Mais uma vez a equipa de enfermagem e a equipa médica foram cruciais. Hoje olho para trás e sei reconhecer como é mau para eles não darem as notícias que os pais querem ouvir. Sabia que o diagnótico era de um pneumomediastino e pneumotórax, que me foi explicado como bolhas que estavam no pulmão, que ou eram reabsorvidas ou teriam de "picar". Ele sentia muita dor, e por isso esteve sedado. Googlei sem me cansar. Escrevi nos grupos de apoio a mães e recebi um apoio incondicional. 

Neste dia eu ainda estava internada, uns pisos acima deles. A minha energia continuava com eles, ansiosa por estar de novo perto. Prometi ao Rui que iria ficar no quarto a descansar, enquanto ele voltava para casa sozinho. Mais uma coisa para gerir. 

E vocês? Como geriam todas as notícias que recebiam? Como geriam a distância durante o vosso período de internamento? 

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Xavier

Hoje, dia 11 de julho, a minha mamã chegou e eu estava muito chorão. Os meus pulmões ficaram fraquinhos e como choro muito os médicos tiveram de me ligar ao ventilador. A mamã e o papá familiarizaram-se com os palavrões de pneumotórax e pneumomediastino, seja lá o que isso for olha: santinho! O monstro ventilador é grande, e ajuda-me a respirar. Aprenderam também o que são sinais de esforço respiratório, como a tiragem. Agora são papás muito atentos e sabem ver quando algo não está bem. Montaram o estaminé ao lado da minha casota, porque sabem que os sinto ali, mesmo que não possa demonstrar. A Clarinha que me desculpe, mas agora tenho os papás só pra mim!
Perdi umas gramas mas aposto que vou ser um matulão.
A mãe e o pai saíram de ca muito preocupados mas eu sou forte. Vão pôr-me mais calminho e eu amanhã estou melhor. Quero muito acompanhar a mana Clarinha, não fosse eu, como diz o pai, o leão.
À noite o Dr., disse que estava mais estável e que o pulmão já se estava a portar melhor.
Seja como for, dos manos só podem esperar boas notícias.




Clara

O dia 2, 11 de julho, está a começar bem para mim. Vão dar-me leitinho para ver se gosto e se me dou bem com ele na minha barriguinha, 1ml (que barrigada!). Os médicos e enfermeiras dizem que estou a evoluir muito bem. Até já me tiraram uma máscara chata do nariz. Os meus papás têm mexido muito em mim e eu adoro. Muitos miminhos tal como preciso. A boa nova é que agora tenho umas luzes azuis e uns óculos de sol nos olhos. Deve ser para eu me bronzear, não fosse eu a Clarinha.
Para além disso, os meus pais apanharam-me em um momento muito acordada e sentaram-me. Eu cá refilei, então querem que esteja sentada para quê? Abri muito os olhinhos, meti-me com gracinhas e fiquei muito contente de os ver ao pé de mim.

Estou a ser forte, pelo mano e pelos pais.


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